Importadores angolanos já podem negociar frete sem risco de perdas financeiras

Criado em 11-10-2012

O Executivo fez, nos últimos anos, grandes investimentos nas infra- estruturas marítimas e portuárias

Os grandes importadores públicos e privados já podem, a partir de agora, contratar um frete de mercadorias de e para Angola sem grandes riscos de perdas financeiras através da Bolsa Nacional de Frete (BNF).

A BNF foi inaugurada no dia 17 de Julho de 2012, em Luanda, pelo Ministro dos Transportes, Dr. Augusto da Silva Tomás. A sua criação deveu-se ao facto de se constatar que os fretes praticados no transporte marítimo para Angola situarem-se, em 2004, muito acima dos preços correntes existentes no mercado internacional.

Ao pronunciar o discurso de inauguração da BNF, o ministro disse que o serviço pretende aproximar os importadores, agentes de navegação e armadores na contratação de transporte marítimo das mercadorias com destino para Angola.

Investimentos nas Infra-Estruturas marítimas e portuárias

 

O ministro referiu que nos últimos quatro anos, o Executivo tem realizado fortes investimentos nas infra-estruturas marítimas e portuárias com o objectivo de obter ganhos de produtividade, a diminuição do tempo de estadia dos navios em porto e, consequentemente, a redução dos fretes marítimos.

Recordou os investimentos realizados na reabilitação e no melhoramento da generalidade das instalações portuárias de Angola, nomeadamente na reabilitação de cais acostáveis, pavimentação, efectivação de dragagens, reparação de armazéns, modernização dos equipamentos de movimentação vertical e horizontal e dos sistemas de informação.

Quandro comparativo de pagamento 2008 e 2012

Em 2008 pagava-se em média três mil e seiscentos e sessenta e cinco dólares norte-americanos para transportar um contentor para Angola. No primeiro semestre de 2012 este valor baixou para 2850 (dois mil oitocentos e cinquenta) dólares norte-americanos. São menos 815 dólares norte-americanos por contentor, uma redução de preço entre 2008 e 2012 de cerca de 22 por cento, informou o ministro.

Segundo disse, este foi um bom contributo que o sector marítimo e portuário deu para termos fretes marítimos mais baixos, o que resulta num melhor nível de vida para os angolanos.

“Se considerarmos o frete médio por contentor num conjunto de 5 países africanos, Gana, Camarões, Senegal, Gabão, e Cote D´ivore, e o compararmos com o preço do nosso País, o frete médio para o nosso País ainda está cerca de 30 por cento mais elevado que a média desses outros países africanos. Com as condições que hoje podemos oferecer nos nossos portos, julgamos que não existem razões objectivas que justifiquem as discrepâncias actuais em alguns fretes entre o nosso País e alguns países da região”, ressaltou.

A BNF, plataforma electrónica e as condições de que dispõe

A BNF possui uma plataforma electrónica na internet, portal, veículo privilegiado para o desenvolvimento “ online” das negociações entre importadores e operadores. Através das condições de que dispõe, a BNF está em condições de possibilitar ao importador ter uma referência para, em condições razoáveis, poder negociar o valor do frete com os armadores ou seus representantes; a intervenção imediata do importador, quando o armador ou o seu representante praticar valores de taxas de frete superiores aos de mercado; uma melhor interacção com o Ministério das Finanças, o Ministério do Planeamento, a Alfândega, e com a política económica; permitir ao importador ter, em tempo real a informação a cerca da posição do navio que transporta a sua carga, quando o mesmo se encontrar a navegar uma distância de cerca de 60 milhas da costa angolana; providenciar o histórico do frete praticado pelos armadores durante os últimos cinco anos, para permitir aos carregadores melhor análise e decisão sobre os preços dos fretes, em função da origem das suas cargas.

No essencial a BNF pretende assegurar que os fretes praticados pelas linhas marítimas sejam aceitáveis e se enquadram em termos do mercado internacional.

Angola gastou mais de USD 1,2 biliões em fretes marítimos em 2011

O frete marítimo de importação de carga contentorizada para Angola, em 2011 teve um custo total de um bilião, duzentos e oito milhões, quinhentos e quarenta e dois mil e trezentos e noventa e oito dólares norte-americanos, de acordo os dados avançados pelo ministro.

Neste sentido, refere, menos cerca de 185 (cento e oitenta e cinco) milhões de dólares norte-americanos que, em 2008, apesar de um aumento de 10,7 por cento no total de contentores transportados em comparação com 2008.

“foram significativos os resultados alcançados, mas queremos ir ainda mais longe. O preço do frete marítimo para o nosso país é ainda bastante caro comparativamente ao praticado para outros países africanos”, referiu, sublinhando que se pretende, para Angola, fretes aceitáveis e enquadrados no mercado internacional e que sejam pagos em moeda nacional (kwanza).

A. Itembo diz que a ferramenta afasta riscos de grandes perdas

Segundo o director do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), Agostinho Itembo, que falava no acto inaugural, com esta ferramenta estão afastados os riscos de grandes perdas financeiras da parte de importadores angolanos por má condução das negociações.

O gestor disse que BNF vai facilitar a vida dos importadores na negociação do frete de e para Angola e também evitará que prejuízos financeiros sejam transferidos ao consumidor final, isto é, quanto mais dispendioso o frete maior o preço do bem importado ao destinatário do produto.” Estamos aqui para facilitar que os negócios, como a contratação do frete marítimo, se realize dentro das balizas ditadas pela procura e oferta, respeitando os pressupostos que intervêm no preço e na concorrência de forma justa, sem inflacionar a vida do consumidor final”, sublinhou o director.

A BNF, de acordo com Agostinho Itembo, resulta também de decisões tomadas a nível da União dos Conselhos de Carregadores Africanos (UCCA), pelo facto de todos os membros da organização viverem o mesmo fenómeno.

Até a presente data, apenas Angola e Burquina Fasso têm bolsas de fretes marítimo, mas a intenção da UCCA é que todos os membros tenham as suas próprias bolsas e interajam.

Com a BNF o CNC pretende também que a empresa angolana Secil Marítima participe no transporte de mercadorias, principalmente compradas pelo Estado Angolano.

Para se ter acesso aos serviços da BNF, os importadores devem efectuar a sua inscrição neste órgão adstrito ao Conselho Nacional de Carregadores (CNC).

Fonte: Revista Rumos, data: 15.10.2012